quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Osteoartrose

OSTEOARTROSE


Também chamada de artrose, é o processo degenerativo (desgaste) que ocorre na superfície cartilaginosa das articulações.
A cartilagem articular é um tecido, formado basicamente por colágeno, que reveste a extremidade de cada osso que compõe uma articulação(exemplos: QUADRIL é a articulação entre a bacia e o fêmur , o JOELHO é a articulação entre patela, fêmur e tíbia). Este tecido tem como funções : diminuir o atrito durante a movimentação e absorver o impacto(principalmente nas articulações que sofrem mais carga como tornozelo, joelho e quadril).
As causas da osteoartrose não são completamente compreendidas, embora haja conhecimento da contribuição importante de fatores genéticos, ambientais, metabólicos e biomecânicos para seu desenvolvimento.
A osteoartrose normalmente é dividida em:
- PRIMÁRIA ou IDIOPÁTICA: não possui causas definidas(acredita-se em forte influência genética) e acomete principalmente pessoas com idade superior a 50 anos;
- SECUNDÁRIA: resultante de trauma ou como sequela do mesmo, de doenças metabólicas, de doenças endócrinas, displasias ósseas e infecções articulares. Normalmente acomete pessoas mais jovens.
Os principais sintomas são:
- Dor, inicialmente aos esforços e nos graus mais avançados mesmo ao repouso;
- Edema (inchaço);
- Derrame Articular, aumento do líquido intra-articular;
- Limitação da movimentação do joelho, dificuldade para dobrar/esticar;
- Estalidos e crepitação no joelho;
- Instabilidade, sensação de falseio ou perda de força.
O diagnóstico é feito através do histórico clínico, exame físico e avaliação radiográfica (RX preferencialmente com carga). Normalmente é utilizada classificação radiográfica para auxilílio na avaliação do grau de acometimento da articulação e também para nortear o tratamento. Adotamos a classificação de Ahlbäck, que divide em 5 graus as alterações radiográficas (GRAU I-mais brando / GRAU V-mais severo):

GRAU I: diminuição do espaço articular
GRAU II: obliteração do espaço articular
GRAU III: atrito tibial <5>
GRAU IV: atrito tibial 5-10 mm
GRAU V:severa subluxação tibial


O tratamento visa retardar o curso da doença e promover alívio dos sintomas. Consiste em medidas de redução do peso (diminuir a carga sobre a articulação), fortalecimento da musculatura periarticular, melhora da propriocepção e da movimentação da articulação. Em paralelo existe o tratamento medicamentoso e para os casos mais avançados o tratamento cirúrgico.
No tratamento medicamentoso utilizamos:
- Anti-inflamatórios não hormonais (AINHs): atuam no processo inflamatório articular, devendo ser utilizados com cautela devido aos riscos cardiovasculares e renais;
- Analgésicos: atuam apenas como sintomáticos, não agindo na evolução da doença;
- Corticóides (sistêmicos / injetáveis): atuam também no processo inflamatório, podendo também ocasionar uma série de efeitos colaterais quando utilizados por período prolongado;
- Diacereína: atua estruturalmente na doença, inibindo a Interleucina-1;
- Glucosamina: atua estruturalmente na doença, pois participa da síntese de parte do substrato da cartilagem articular e promove estímulo dos condrócitos (células produtoras de cartilagem);
- Condroitina: atua estruturalmente na doença, por estímulo direto na cartilagem e inibição da Interleucina-1;
- Insaponificáveis da soja e abacate (piascledine): atua estruturalmente na doença, inibindo as Interleucinas e metaloproteases;
- Ácido Hialurônico: atua estruturalmente na doença, o tratamento também é conhecido como VISCOSSUPLEMENTAÇÃO (uma vez que suplementa essa substância que encontra-se diminuída no joelho com osteoartrose) e consiste em aplicações intra-articulares(normalmente 03 aplicações - com intervalo semanal) com o intuito de lubrificar e proteger os tecidos articulares, além de estimular a produção do próprio ácido hilaurônico pelo organismo. É um tratamento relativamente novo, pouco invasivo e que tem demonstrado boa resposta clínica em grande parte dos casos.

O tratamento cirúrgico, reservado para casos mais graves e que não responderam ao tratamento conservador, consiste na artroplastia articular. Através de instrumentos de precisão e atualmente até mesmo auxiliado por navegação computadorizada, é implantada uma prótese (material de alta tecnologia, consistindo de uma liga metálica, normalmente de cromo, cobalto e molibdênio, podendo ocorrer variações, e um componente intermediário de polietileno de alta densidade) na articulação danificada. Hoje em dia, com o desenvolvimento dos materiais e melhoria da técnica cirúrgica os resultados deste tipo de procedimento são muito bons, propiciando um retorno dos pacientes a qualidade de vida normal.