quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cerebelo


Parte posterior do tronco encefálico e abaixo da tenda do cerebelo (uma prega de dura-máter que o separa do lobo occipital).
Está preso ao tronco encefálico pelos pedúnculos cerebelares
É dividido pela foice do cerebelo em 2 lobos ou hemisférios (D e E)
É todo formado por lâminas ou folhas cerebelares.

Aspectos Anatômicos
O cerebelo possui uma porção ímpar e mediana denominada vérmis, que se liga aos hemisférios cerebelares. Sua superfície apresenta sulcos predominantemente tranversais, que delimitam lâminas finas denominadas folhas do cerebelo.

Há também sulcos mais pronunciados, as fissuras do cerebelo, que delimitam lóbulos, cada um podendo conter várias folhas. Em secções do órgão percebe-se sua constituição por um centro de substância branca, denominado corpo medular do cerebelo, de onde irradiam as lâminas brancas do cerebelo, revestidas por uma fina camada de substância cinzenta, o córtex cerebelar. É no corpo medular onde se localizam os quatro pares dos núcleos centrais do cerebelo, abordados mais adiante.

Divisão Ontogenética
Esta divisão baseia-se no fato de que a primeira fissura que aparece durante o desenvolvimento do cerebelo é a póstero-lateral, dividindo-o em duas partes bem desiguais: o lobo flóculo-nodular (formado pelo flóculo, hemisfério, e pelo nódulo, vérmis); e o corpo do cerebelo (formado pelo resto). A seguir surge a fissura prima, dividindo o corpo do cerebelo em lobo anterior e lobo posterior.

Vermis cerebelar
1- Língula A- Fissura prima (2ª)
2- Lóbulo Central B- Fissura horizontal
3- Culmen C- Fissura póstero-lateral (1ª)
4- Declive
5- Folium
6- Túber
7- Pirâmide
8- Úvula (corresponde à tonsila do hemisfério)
9- Nódulo

Divisão Filogenética
Arquicerebelo: surge com o aparecimento dos vertebrados mais primitivos.

Ligado à manutenção do equilíbrio.

Relacionado com motricidade reflexa.

Corresponde ao lobo flóculo-nodular

Paleocerebelo: surge mais recentemente.

Recebe informações que o ajudam na regulação do tônus muscular e da postura.

Relacionado com motricidade automática.

Corresponde ao lobo anterior, pirâmide e úvula.

Neocerebelo: surge com os mamíferos que desenvolvem movimentos mais delicados e assimétricos.

Coordena os movimentos voluntários, comparando a intenção e a execução dos mesmos, podendo ajustá-los se necessário.

A função de coordenação dos movimentos feita pelo cerebelo chama-se TAXIA.

Corresponde ao lobo posterior (exceto pirâmide e úvula).

Núcleos Centrais do Cerebelo:

São massas de substância cinzenta presentes no centro medular do cerebelo, deles saem as fibras eferentes do cerebelo e chegam os axônios das células de Purkinje, vindas de partes especificas da superfície cerebelar.

Se dividem em quatro pares:

1. Núcleo denteado
É o maior dos núcleos centrais do cerebelo, assemelha-se ao núcleo olivar inferior e localiza-se mais lateralmente. Faz sinapse com os axônios da células de Purkinje da zona lateral, dirigindo os impulsos para o tálamo do lado oposto e daí para as áreas motoras do córtex cerebral pela via dento-tálamo-cortical, onde se origina o tracto córtico-espinhal. Por este tracto o núcleo denteado participa da via motora, agindo sobre a musculatura distal no planejamento dos movimentos delicados.

2. Núcleo fastigial
Localizado em posição medial, recebe os axônios das células de Purkinje da zona medial. Dele saem as fibras fastígio-vestibulares e fastígio-reticulares que integram o tracto fastígiobulbar, influenciando na atividade motora dos neurônios do grupo medial da coluna anterior, controlando a musculatura axial e proximal dos membros, a fim de manter o equilíbrio e a postura.

3. Núcleo interpósito (emboliforme + globoso)
Localizado entre o denteado e o fastigial, faz sinapse com os axônios das células de Purkinje da zona intermédia. Dele saem fibras para o núcleo rubro (via interpósito-rubro-espinhal do tracto rubro-espinhal) e para o tálamo do lado oposto (via interpósito-tálamo-cortical do tracto córtico-espinhal). A ação deste núcleo faz com que os neurônios do grupo lateral da coluna anterior controlem os movimentos delicados dos músculos distais dos membros, sobretudo na correção destes movimentos.

Enquanto os neurônios da zona lateral planejam os movimentos delicados e o tônus da musculatura distal, os da zona intermédia os corrigem.

4. Vias Cerebelares
Área 4 no córtex: saem os tractos córtico-espinhais que vão aos músculos.

Ponte: os tractos se dividem e o tracto ponto-cerebelar avisa ao cerebelo da intenção do movimento.

Proprioceptores: através dos tractos espino-cerebelares é avisada a execução do movimento.

Cerebelo: compara a intenção e a execução do movimento.

Ajuste do movimento: se necessário é feito pelo tracto cerebelo-tálamo- cortical.

Função do cerebelo
Função básica é coordenar os movimentos.
Coordena:

Força
Harmonia
Ritmo
Sequência
Sinergismo
Antagonismo
Principais Funções Cerebelares
MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO E DA POSTURA

Feitas basicamente pelo arquicerebelo e pela zona medial.

Promovem a contração adequada dos músculos dos membros, de modo a manter o equilíbrio e a postura normal.

A influência do cerebelo é transmitida aos neurônios motores pelos tractos vestíbulo-espinhal e retículo-espinhal.

CONTROLE DO TÔNUS MUSCULAR

CONTROLE DOS MOVIMENTOS VOLUNTÁRIOS

O controle dos movimentos envolve duas etapas:

planejamento do movimento (via córtico-ponto- cerebelar)
correção do movimento já em execução ( via interpósito-tálamo-cortical)

ENGRAMAS DO MOVIMENTO (APRENDIZAGEM MOTORA)

Sempre que executamos um movimento com determinada finalidade, registramos a impressão que ele proporciona às áreas sensoriais. Essa impressão memorizada denomina-se “engrama sensorial do movimento”.

Quando desejamos reproduzir a mesma ação:

a área motora aciona os efetores
as áreas sensoriais começam a captar as impressões proprioceptivas desencadeadas pelo movimento.
Essas impressões são confrontadas com os engramas correspondentes e a área motora é avisada se o movimento está correto ou necessita de correção.

Síndromes Cerebelares

Síndrome do Arquicerebelo

Ocorre com certa frequência em crianças de menos de 10 anos.
Causa: Tumores que comprimem o nódulo e o pedúnculo do flóculo.

SINTOMAS

Perda de equilíbrio. As crianças não conseguem fiar em pé. - DISTASIA
Não há alteração do tônus muscular
Deitadas, a coordenação dos movimentos é praticamente normal.

Síndrome do Paleocerebelo
Ocorre no homem como consequência da degeneração do córtex do lobo anterior no alcoolismo crônico.

Sintomas
perda do equilíbrio - DISTASIA
paciente anda com a base alargada - DISBASIA
ataxia dos membros inferiores

Síndrome do Neocerebelo
As lesões do neocerebelo causam como sintoma fundamental uma incoordenação motora (ataxia), que pode ser testada por vários sinais.

DISMETRIA: execução defeituosa de movimentos que visam atingir um alvo, pois o indivíduo não consegue dosar exatamente a ‘quantidade’ de movimentos necessários para isso.
Quando ultrapassamos o ponto desejado ao fazermos um movimento.

DECOMPOSIÇÃO - movimentos complexos que normalmente são feitos simultaneamente por várias articulações.
São decompostos, ou seja, realizados em etapas sucessivas por cada uma das articulações

DISDIADOCOCINESIA - dificuldade de fazer movimentos rápidos e alternados

Exemplo: tocar rapidamente a ponta do polegar com os dedos indicador e médio, alternadamente.

ADIADOCOCINESIA: incapacidade de efetuar rapidamente um movimento seguido de seu inverso.

RECHAÇO: verifica-se esse sinal mandando o paciente forçar a flexão do antebraço contra uma resistência que se faz no pulso.
Indivíduo normal: resistência retirada, a flexão pára
Doente: músculos custam a agir e o movimento é violento.

TREMOR - característico que se acentua ao final do movimento ou quando o paciente está prestes a atingir um objetivo

Exemplo: apanhar um objeto (tremor intencional)

NISTAGMO - movimento oscilatório rítmico dos olhos, que ocorre especialmente em lesões do sistema vestibular e do cerebelo.