domingo, 9 de outubro de 2011

Esteriotaxia


A estereotaxia (latin: stereo, tridimensional; taxis, arranjo) é uma técnica moderna da neurocirurgia que permite a localização e o acesso preciso de estruturas intracranianas através de apenas um pequeno orifício no crânio. Procede-se da seguinte forma:
acoplamos um aro estereotáxico externamente à cabeça do paciente;
realizamos a seguir uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio do paciente, com os referenciais no aro;
baseado na imagem do exame, fazemos os cálculos com o auxílio do computador, determinando com precisão a localização de qualquer região do cérebro do paciente, traduzida através de coordenadas estereotáxiacas;
levamos o paciente ao centro cirúrgico e sob anestesia local, fazemos uma pequena incisão no couro cabeludo (4cm a 5 cm ); abrimos um orifício no osso do crânio (1 cm); e introduzimos o instrumental cirúrgico, geralmente uma agulha para biópsia ou punção, guiado com exatidão para alcançar a lesão, de acordo com as suas coordenadas estereotáxicas;
ao atingir o alvo, realizamos então o procedimento, que pode ser a biópsia de lesões cerebrais, como: tumores, inflamações e processos degenerativos; ou mesmo para a drenagem de coágulos, cistos, abcessos, ou outras lesões intracerebrais;
finalizamos então a cirurgia, retirando a agulha e fechando a pequena incisão na pele com pontos simples. O paciente geralmente retorna logo para o seu apartamento, e recebe alta no dia seguinte.
Tumores cerebrais
Freqüentemente confirmamos inicialmente o diagnóstico do tumor através de uma biópsia, a qual é realizada com estereotaxia, e podemos usar também a estereotaxia para auxiliar na cirurgia de ressecação do mesmo, orientando com precisão o melhor local para abordá-lo, seus limites e sua posição, reduzindo os riscos de lesão do cérebro normal, e possibilitando uma retirada mais ampla do tumor.
E agora, com a aquisição do equipamento de braquiterapia pelo hospital, um dos primeiros do País, dispomos de umas das mais avançadas técnicas de radioterapia da atualidade. Trata-se da colocação de sementes radioativas com estereotaxia no centro do tumor, permitindo a liberação de doses mais elevadas de radiação na lesão, com menor incidência de radiação no cérebro normal em sua volta.

Acidentes vasculares cerebrais
Os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos são muito freqüentes em nosso meio, provocados principalmente pela hipertensão arterial não controlada.
Até recentemente, pouco se podia fazer nesses casos, já que a cirurgia convencional para a remoção desses coágulos é muito lesiva e com grande incidência de complicações.

Sendo assim, a melhor opção era a conduta conservadora, onde apenas são feitas as medidas clínicas para reduzir a pressão dentro do crânio, elevada pela presença do hematoma.

Todavia, com o advento da neurocirurgia mini-invasiva, podemos drenar esses coágulos através de um pequeno orifício no crânio, guiando-se uma agulha de punção com estereotaxia para o interior do mesmo, e realizando-se a drenagem contínua desse sangue, que é dissolvido com a infusão de uma substância com essa finalidade (Actilyse). Obtém-se, assim, uma redução da compreensão do hematoma no cérebro, facilitando o controle da pressão intracraniana e melhorando os resultados no tratamento desses pacientes.

Através dessa técnica mini-invasiva, podemos ter acesso a qualquer região dentro do cérebro nos casos indicados, com menor tempo de cirurgia e de internação, baixo custo, sem os riscos de uma anestesia geral, e com menor índice de complicações cirúrgicas.