quinta-feira, 26 de abril de 2012

Fatores de exposição

Técnica Radiográfica e Qualidade da Imagem Um estudo de técnicas radiográficas e de qualidade da imagem inclui todos os fatores ou variáveis relacionadas à precisão ou a curácia com que as estruturas e tecidos a serem radiografados são reproduzidos em filmes radiográficos ou outros receptores de imagem. Alguns desses fatores ou variáveis relacionam-se mais diretamente ao posicionamento radiográfico. FATORES DE EXPOSiÇÃO (TÉCNICA) O técnico ajusta três variáveis ou fatores de exposição no painel de controle do aparelho de raios X sempre que uma radiografia é feita. Essas três variáveis ou fatores de exposição, por vezes referidos como fatores de exposição ou de técnica, são os seguintes: 1. Pico de quilovoltagem (kVp) 2. Miliamperagem (mA) 3. Tempo de exposição (s) A miliamperagem (mA) e o tempo (s) (tempo de exposição em segundos) são geralmente combinados em miliamperes por segundo (mAs), o que determina a quantidade de raios X emitidos pelo tubo de raios X a cada tempo de exposição.Cada um desses fatores de exposição possui um efeito específico de controle sobre a qualidade da imagem radiográfica. Além de ser capaz de posicionar corretamente o paciente, o técnico precisa conhecer certos fatores que influenciam a qualidade de imagem e sua relação com esses fatores ou variáveis de exposição.Exceção: Quando ativados, os sistemas de controle automático de exposição (CAE) promovem o fim automático do tempo de exposição quando exposição suficiente foi recebida pela célula da câmara de ionização. FATORES DE QUALIDADE DA IMAGEM Certos fatores que avaliam a qualidade de uma imagem radiográfica são chamados de fatores de qualidade da imagem. Os quatro fatores primários de qualidade da imagem são os seguintes: 1. Densidade 2. Contraste 3. Detalhe 4. Distorção Esses quatro fatores podem ser regulados conforme descrito a seguir: Densidade DEFINIÇAO A densidade radiográfica pode ser descrita como o grau de enegrecimento da imagem processada. Quanto maior a densidade, menos luz atravessará a imagem. FATORES DE CONTROLE O fator primário de controle de densidade é o mAs, que controla a densidade diretamente pela quantidade de raios X emitidos pelo tubo de raios X durante uma exposição. Assim, um valor duas vezes maior de mAs dobra a quantidade de raios X emitidos e dobra a densidade. Além do mAs como fator de controle, à distância do tubo de raios X ao filme,à distância foco-filme (DFoFi), possui também efeito na densidade radiográfica de acordo com a lei do quadrado inverso. Por exemplo, uma distância duas vezes maior reduzirá a intensidade da fonte de raios X a um quarto, o que reduz quatro vezes a densidade radiográfica. À distância, dessa forma, tem uma influência importante na densidade, mas, como é usada uma distância padrão, o mAs torna-se uma variável usa¬da tanto para aumentar como para reduzir a densidade radiográfica. REGRA DA TROCA DE DENSIDADE Uma regra geral prevalece quando se usam os ajustes técnicos manuais com chassis convencionais de filme/écran. Geralmente, a alteração mínima em mAs exigida para se corrigir uma radiografia pouco ex-posta é dobrar (se ficou muito "branca", é necessário repetir). Por exemplo-se uma mão que recebe 2,5 mAs ficou pouco exposta e precisar ser repetida, o mAs deve ser aumentado em pelo menos 5 mAs, e o kVp e outros fatores não devem ser alterados. A densidade adequada, controlada basicamente com o mAs, deve estar presente na imagem processada, para demonstrar de forma precisa os tecidos e órgãos a serem radiografados. Estando com pouca densidade (pouco exposta) ou com muita densidade (muito exposta), a imagem obtida não mostrará de maneira adequada os tecidos ou as estruturas. Contraste DEFINiÇÃO O contraste radiológico é definido como a diferença de densidade nas áreas adjacentes da imagem radiográfica. Quanto maior essa diferença, maior será o contraste. Quanto menor a diferença entre a densidade nas áreas adjacentes, menor será o contraste. OBJETIVO OU FUNÇÃO O objetivo ou a função do contraste é tornar os detalhes anatômicos de uma radiografia mais visíveis. Por esse motivo, é importante ter um ótimo contraste radiográfico e saber que o contraste é essencial na avaliação da qualidade radiográfica. Contrastes maiores ou menores não são necessariamente bons ou ruins por si sós. Por exemplo, baixo contraste com pouca diferença entre densidades adjacentes (contraste de longa escala) é mais desejável em certos exames, como nas imagens de tórax, em que as muitas diferenças na gradação de cinza são necessárias para visualizar os tênues traçados pulmonares. Isso pode ser demonstrado pela comparação das duas radiografias de tórax. O baixo contraste (escala longa) de tórax na mostra mais escalas de cinza, evidentes pelos tênues contornos das vértebras visíveis através do coração e das estruturas mediastinais. Essas escalas de cinza que delimitam as vértebras são menos visíveis através do coração e do mediastino na radiografia de tórax de alto contraste.O limite de kVp preferido e a escala de contraste resultante podem variar, dependendo da preferência do radiologista. FATORES DE CONTROLE O fator primário de controle para o contraste é a kVp. Ela controla a energia ou o poder de penetração da fonte primária de raios X. Quanto maior a kVp, maior será a energia e maior será a uniformidade dos feixes penetrantes de raios X nas várias densidades de massa de todos os tecidos. Assim, elevadas kVp produzem menos variação na atenuação (absorção diferencial), resultando em mais baixo contraste. A quilovoltagem (kVp) é também um fator secundário de controle da densidade. Altas kVp resultam tanto em mais raios X como em raios X de mais energia, proporcionando raios X de mais energia para alcançar o filme, com um aumento correspondente em toda a densidade. Como regra geral, um aumento de 15% na kVp aumenta a densidade da mesma forma que dobra o mAs. Assim, no limite inferior da kVp, como em 50 a 70 kVp, um aumento de 8 a 10 kVp dobrará a densidade (equivale a dobrar o mAs). Na faixa de 80 a 100 kVp, é preciso um aumento de 12 a 15 kVp para ter a densidade dobrada. A importância disso baseia-se na proteção contra a radiação, porque, com o aumento da kVp, o mAs pode ser significativamente reduzido, resultando em menos radiação para o paciente. Resumindo: Uma regra geral estabelece que altas kVp e baixos mAs que proporcionam informações diagnósticas suficientes devem ser usados em cada exame radiográfico. Isso pode tanto reduzir a exposição do paciente como em geral resulta em radiografias com melhores informações diagnósticas.* Detalhe DEFINiÇÃO Detalhe, às vezes referido como detalhe registrado, pode ser definido como a nitidez das estruturas na imagem. Essa definição dos detalhes das imagens é demonstrada pela clareza ou precisão de tênues estruturas lineares e bordas de tecidos ou estruturas visíveis nas imagens radiográficas. A falta de detalhes visíveis é conhecida como borramento ou ausência de nitidez. FATORES DE CONTROLE Uma ótima imagem radiográfica mostra uma imagem com boa definição de detalhes. Os detalhes são controlados por fatores geométricos e movimento, como visto a seguir: Fatores Geométricos Três fatores geométricos que controlam ou influenciam os detalhes são (1) tamanho do ponto focal, (2) DFoFi (distância foco-filme) e (3) DOF (distância objeto-filme). O uso de ponto focal menor resulta em menor borramento geométrico, fornecendo assim uma imagem mais precisa ou com melhores detalhes. Além disso, um ponto focal pequeno, como selecionado no painel de controle, deve ser usado sempre que possível. A combinação de um ponto focal pequeno, um aumento na DFoFi e a diminuição na DOF resulta em menos imprecisão geométrica. Velocidade Filme/Écran A velocidade filme/écran afeta os detalhes por permitir períodos de exposição mais curtos para prevenir a movimentação. Movimento O único grande impedimento para a precisão da imagem relacionado ao posicionamento é o movimento. Dois tipos de movimentos influenciam os detalhes radiográficos. São eles os movimentos voluntários e os movimentos involuntários. O movimento voluntário, seja da respiração ou do movimento de partes do corpo durante a exposição, pode ser prevenido ou pelo menos minimizado pelo controle da respiração e pela imobilização. Blocos de apoio, sacos de areia ou outros dispositivos para imobilização podem ser usados com eficácia para reduzir a movimentação. Isso é mais efetivo para os exames dos membros superiores ou inferiores. O movimento involuntário não pode ser controlado pela vontade do paciente. Por esse motivo, movimentos como os peristálticos dos órgãos abdominais são mais difíceis, se não impossíveis, de serem controlados completamente. Se a imagem ficar borrada por causa dos movimentos, o técnico/radiologista deve identificar através da radiografia se o borramento ou imprecisão da imagem se deve a um movimento voluntário ou involuntário. Essa identificação é importante porque existem formas diferentes de controlar esses dois tipos de movimentos. DIFERENÇA ENTRE MOVIMENTO VOLUNTÁRIO E INVOLUNTÁRIO O movimento voluntário, que é muito mais fácil de ser prevenido, é caracteriza¬do pelo borramento generalizado de estruturas adjacentes, como o borra¬mento do diafragma e dos órgãos abdominais superiores. O movimento involuntário pode ser identificado pela imprecisão ou borramento localizado. Esse tipo de movimento é menos óbvio, mas pode ser visto nas imagens de abdome pela identificação do borramento dos limites padrões dos intestinos apenas em pequenas regiões entre outras imagens do mesmo órgão com imagens precisas. Distorção DEFINiÇÃO O quarto e último fator determinante da qualidade de uma imagem é a distorção, que pode ser definida como a representação equivocada do tamanho do objeto ou da sua forma quando projetada no meio de registro radiográfico. A ampliação é considerada um fator à parte porque é uma distorção de tamanho e pode ser incluída como uma distorção de forma, o que é indesejável. Entretanto, nenhuma imagem radiográfica é a imagem fiel da parte do corpo radiografada. Isso é impossível porque sempre há alguma ampliação e/ou distorção, seja pela DOF, seja pela divergência do feixe de raios X. Portanto, a distorção deve ser minimizada e controlada. DIVERGÊNCIA DO FEIXE DE RAIOS X A divergência dos feixes de raios X é um conceito básico porém importante para se compreender o posicionamento radiográfico em um estudo. Isso ocorre porque os raios X se originam em uma fonte estreita no tubo de raios X e divergem ou se espalham no filme. O tamanho da fonte de raios X é limitado pelo ajuste dos colimadores, que absorvem os raios X em quatro cantos, controlando dessa forma o tamanho do campo de colimação. Quanto maior o campo de colimação e menor à distância foco-filme, maior será o ângulo de divergência nas margens externas,o que aumenta o potencial de distorção. Em geral, apenas o ponto central da fonte emissora de raios X, o raio central (RC), não apresenta divergência e penetra na parte do corpo, atingindo o filme em um ângulo de 90 graus, ou perpendicular ao plano do filme. Isso acarreta a menor distorção possível nesse ponto. Todos os outros aspectos do feixe de raios X que atingem o filme em algum outro ângulo que não o de 90 graus aumentam o ângulo de divergência nas porções mais externas ao feixe de raios X. FATORES DE CONTROLE Quatro fatores primários de controle da distorção são (1) DFoFi (distância foco-filme), (2) DOF (distância objeto-filme), (3) alinhamento do objeto com o filme e (4) alinhamento/centralização do RC (raio central).