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Osteopetrose

A osteopetrose consiste uma rara doença hereditária, na qual os ossos tornam-se exageradamente densos, em decorrência de uma deficiência no processo de reabsorção óssea que ocorre por alteração da função dos osteoclastos.
Esta condição patológica é dividida em duas formas:
  • A adulta benigna, de transmissão autossômica dominante;
  • A infantil maligna, de transmissão autossômica recessiva.
A forma benigna foi descrita pela primeira vez pelo radiologista alemão Albert Schönberg , no ano de 1904, que apontou a presença de alterações ósseas escleróticas em crianças e adultos, tipicamente assintomáticas, com expectativa de vida dentro da normalidade, porém com maior propensão a fraturas.
Além da osteopetrose maligna, uma ampla gama de variantes desta patologia pode ser classificada como osteopetroses autossômicas recessivas. Dentre elas estão:
  • Deficiência de anidrase carbônica II, síndrome caracterizada por um quadro brando de osteoporose, acidose tubular renal, calcificação cerebral e intensa deficiência de anidrase carbônica II;
  • Intensa osteopetrose com resistência ao hormônio da paratireoide;
  • Osteopetrose infantil transitória;
  • Osteopetrose letal intra-uterina;
  • Formas intermediárias;
  • Osteopetrose pós-infecção.
A forma típica da osteopetrose maligna infantil inicia-se precocemente e resulta de uma disfunção osteoclástica, ocasionando em incapacidade de reabsorção e remodelação óssea por parte do organismo. Nesse caso, os osteoblastos funcionam normalmente, havendo, deste modo, um exacerbado depósito de material osteóide mineralizado.
Caracteristicamente, o quadro apresentado pela forma maligna da osteopetrose clássica aponta ossos densos, escleróticos e radiopacos, com cavidade medular dos ossos longos ausentes. Também podem ser observados:
  • Hematopoiese extramedular (hepato-esplenomegalia);
  • Obliteração dos forames dos nervos cranianos, podendo levar à cegueira, surdez e paralisia facial;
  • Macrocefalia;
  • Protusão da fronte;
  • Hipertelorismo;
  • Aumento da pressão intracraniana;
  • Atraso da erupção dentária;
  • Retardo do desenvolvimento neuropsicomotor.
Os pacientes evoluem para o óbito dentro dos primeiros anos de vida, geralmente em decorrência de anemia, sangramento ou infecção.
Antigamente, o tratamento para a osteopetrose maligna era somente paliativo, incluindo transfusões de hemácias e plaquetas e tentativas de controlar o metabolismo ósseo, aumentando a oferta de fosfato e diminuindo a de cálcio. Além disso, também era utilizada a vitamina D, oparatormônio (PTH), corticoides, eritropoetina, fatores de crescimento de colônias e interferon gama; todavia o sucesso alcançado era pouco.
Atualmente existe a opção do transplante de medula óssea como tratamento definitivo. O primeiro transplante desse tipo realizado com sucesso foi relatado no ano de 1977, em uma menina de três anos de idade. Uma vez que os osteoclastos são oriundos de células de linhagem pluripotenciais monocíticas, o transplante de medula óssea irá conferir novas células progenitoras que darão origem aos osteoclastos sadios.


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