Pular para o conteúdo principal

Osteoartrose

OSTEOARTROSE


Também chamada de artrose, é o processo degenerativo (desgaste) que ocorre na superfície cartilaginosa das articulações.
A cartilagem articular é um tecido, formado basicamente por colágeno, que reveste a extremidade de cada osso que compõe uma articulação(exemplos: QUADRIL é a articulação entre a bacia e o fêmur , o JOELHO é a articulação entre patela, fêmur e tíbia). Este tecido tem como funções : diminuir o atrito durante a movimentação e absorver o impacto(principalmente nas articulações que sofrem mais carga como tornozelo, joelho e quadril).
As causas da osteoartrose não são completamente compreendidas, embora haja conhecimento da contribuição importante de fatores genéticos, ambientais, metabólicos e biomecânicos para seu desenvolvimento.
A osteoartrose normalmente é dividida em:
- PRIMÁRIA ou IDIOPÁTICA: não possui causas definidas(acredita-se em forte influência genética) e acomete principalmente pessoas com idade superior a 50 anos;
- SECUNDÁRIA: resultante de trauma ou como sequela do mesmo, de doenças metabólicas, de doenças endócrinas, displasias ósseas e infecções articulares. Normalmente acomete pessoas mais jovens.
Os principais sintomas são:
- Dor, inicialmente aos esforços e nos graus mais avançados mesmo ao repouso;
- Edema (inchaço);
- Derrame Articular, aumento do líquido intra-articular;
- Limitação da movimentação do joelho, dificuldade para dobrar/esticar;
- Estalidos e crepitação no joelho;
- Instabilidade, sensação de falseio ou perda de força.
O diagnóstico é feito através do histórico clínico, exame físico e avaliação radiográfica (RX preferencialmente com carga). Normalmente é utilizada classificação radiográfica para auxilílio na avaliação do grau de acometimento da articulação e também para nortear o tratamento. Adotamos a classificação de Ahlbäck, que divide em 5 graus as alterações radiográficas (GRAU I-mais brando / GRAU V-mais severo):

GRAU I: diminuição do espaço articular
GRAU II: obliteração do espaço articular
GRAU III: atrito tibial <5>
GRAU IV: atrito tibial 5-10 mm
GRAU V:severa subluxação tibial


O tratamento visa retardar o curso da doença e promover alívio dos sintomas. Consiste em medidas de redução do peso (diminuir a carga sobre a articulação), fortalecimento da musculatura periarticular, melhora da propriocepção e da movimentação da articulação. Em paralelo existe o tratamento medicamentoso e para os casos mais avançados o tratamento cirúrgico.
No tratamento medicamentoso utilizamos:
- Anti-inflamatórios não hormonais (AINHs): atuam no processo inflamatório articular, devendo ser utilizados com cautela devido aos riscos cardiovasculares e renais;
- Analgésicos: atuam apenas como sintomáticos, não agindo na evolução da doença;
- Corticóides (sistêmicos / injetáveis): atuam também no processo inflamatório, podendo também ocasionar uma série de efeitos colaterais quando utilizados por período prolongado;
- Diacereína: atua estruturalmente na doença, inibindo a Interleucina-1;
- Glucosamina: atua estruturalmente na doença, pois participa da síntese de parte do substrato da cartilagem articular e promove estímulo dos condrócitos (células produtoras de cartilagem);
- Condroitina: atua estruturalmente na doença, por estímulo direto na cartilagem e inibição da Interleucina-1;
- Insaponificáveis da soja e abacate (piascledine): atua estruturalmente na doença, inibindo as Interleucinas e metaloproteases;
- Ácido Hialurônico: atua estruturalmente na doença, o tratamento também é conhecido como VISCOSSUPLEMENTAÇÃO (uma vez que suplementa essa substância que encontra-se diminuída no joelho com osteoartrose) e consiste em aplicações intra-articulares(normalmente 03 aplicações - com intervalo semanal) com o intuito de lubrificar e proteger os tecidos articulares, além de estimular a produção do próprio ácido hilaurônico pelo organismo. É um tratamento relativamente novo, pouco invasivo e que tem demonstrado boa resposta clínica em grande parte dos casos.

O tratamento cirúrgico, reservado para casos mais graves e que não responderam ao tratamento conservador, consiste na artroplastia articular. Através de instrumentos de precisão e atualmente até mesmo auxiliado por navegação computadorizada, é implantada uma prótese (material de alta tecnologia, consistindo de uma liga metálica, normalmente de cromo, cobalto e molibdênio, podendo ocorrer variações, e um componente intermediário de polietileno de alta densidade) na articulação danificada. Hoje em dia, com o desenvolvimento dos materiais e melhoria da técnica cirúrgica os resultados deste tipo de procedimento são muito bons, propiciando um retorno dos pacientes a qualidade de vida normal.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Forames do Crânio

Principais Forame do Crânio I. Fossa Craniana Anterior: -Lâmina Crivosa - nervo olfatório (NC I) -Nervo Óptico - Canal Óptico (NC II), artéria Oftálmica II. Fossa Craniana Mediana: -Fissura Orbital Superior - Oculomotor, Troclear, e nervo Abducente (NC III, IV, divisão do VI), nervo oftálmico do nervo Trigêmeo (NC V), veia oftálmica superior -Forame Redondo - nervo Maxilar divisão do nervo Trigêmeo (NC V) -Forame Oval - nervo Mandibular divisão do nervo Trigêmeo (NC V) (contém divisão motora), Nervo Petroso inferior (do NC IX), artéria meníngea adicional -Forame Espinhoso - artéria meníngea mediana -Forame Lacerado - artéria Carótida interna (os nervos petrosos maiores e profundos passam através, mas não por) III. Fossa Craniana Posterior: -Canal Carotídeo - artéria carótida interna, plexo Simpático, -Meato Acústico Interno - nervos facial e vestibulococlear (NC VII e VIII), nervos intermédios -Forame Jugular - nervo petroso inferior; seio sigmóide, Glossofaringeo, Vago, e nervos acess...

Joelho

Anatomia dos Ligamentos do Joelho Os ligamentos cruzados são as estruturas responsáveis pela estabilidade do joelho e estão localizados no centro da articulação. O ligamento cruzado anterior (LCA) assim como o posterior (LCP), são extra sinoviais, apesar de intra-articulares. Eles recebem esta denominação de acordo com sua inserção tibial, e por se cruzarem no centro do joelho. O ligamento cruzado anterior origina-se na parte posterior do fêmur e insere-se anteriormente na tíbia, sendo que o ligamento cruzado posterior faz o trajeto contrário, originando-se anteriormente no fêmur e inserindo-se posteriormente na tíbia. Embriologia Os ligamentos cruzados surgem no embrião por volta do 45º dia, juntamente com os ligamentos colaterais, aparecendo como um conjunto de células orientadas, simulando os ligamentos cruzados na forma adulta. Anatomia LCA A origem femoral do ligamento cruzado anterior, esta localizada na porção póstero-lateral do intercondilo. A origem femoral tem uma forma co...

Pólipos nasais

Os pólipos nasais são formações carnudas da membrana mucosa nasal. As pessoas que sofrem de alergias que afectam o nariz (rinite alérgica) têm tendência para ter pólipos nasais. Os pólipos também podem formar-se durante infecções e desaparecer uma vez que esta diminua de intensidade. Os pólipos costumam crescer nas áreas onde a membrana mucosa se inflamou devido a uma acumulação de líquido, como na zona que rodeia as aberturas dos seios dentro da cavidade nasal. Enquanto se está a desenvolver, o pólipo assemelha-se a uma lágrima e quando está maduro parece-se com uma uva pelada sem grainha. O uso de um aerossol nasal com corticosteróides em certos casos diminui o tamanho dos pólipos ou elimina-os. Se os pólipos obstruírem o canal respiratório, é necessário recorrer à cirurgia. O mesmo se passa se causarem infecções nos seios ao obstruírem a sua drenagem ou se estiverem associados a tumores. Os pólipos voltam a crescer, a menos que a alergia ou a infecção subjacente seja controlada, mas...